Então galera, fato é que nem só de maconha se vive mas em muitos casos ela é uma esperança de vida. A partir de um caso pessoal de câncer em minha família e pela curiosidade biológica sobre atuação dos cannabinoides resolvi ler mais sobre a atuação de canabinóides em terapias para o tratamento do câncer. Já se conhece receptores de canabinóides endógenos presente em abundancia em diversos órgãos do corpo humano. Esses receptores podem estimular e desencadear vias de sinalização celular. Assim estimulam o apetite, inibem a dor, controlam a ansiedade, e recentemente tem se observado a capacidade de modulação do crescimento e morte celular.
O artigo, “Cannabinoid action induces autophagy-mediated cell death through stimulation of ER stress in human glioma cells” publicado no
Jornal of clinical investigation; ( Ação de canabinóides induzem à morte celular mediada pela autophagia estimulando o stress do RE (Retículo Endoplasmático) em células de glioma humano”. Esse artigo pode ser encontrado nos bancos de dados do NCBI e foi assinado por pesquisadores de 8 universidades. Entre eles há pesquisadores da escola de medicina da Universidade de Harvard nos Estado Unidos. Os resultados da pesquisa confirmam a apoptose ( morte celular) através da autofagia ( a celula se auto digere) levando a morte de células tumorais. O THC é o canabinóide responsável por ativar a via de estress do Retículo Endoplasmático. Observou-se também que células sadias apresentam uma proteção contra o efeito da autofagia induzida pelo canabinoide THC. Essa característica de atuação do THC é uma vantagem em relação aos quimioterápicos conhecidos que atacam células sadias. A pesquisa com THC e células tumorais apresentou resultados com diminuição de até 80% no crescimento de tumores, o que é muito representativo por se tratar de uma tecnologia ainda em desenvolvimento.

O que me pergunto é porquê ainda existe nos setores da saúde, no legislativo, nos centros de pesquisa, profissionais que ignoram o potencial que essa planta tem de cura e de terapia para vários males. Será possível que a simples ganancia e a proteção do mercado farmacéutico serve de argumento para se proibir o uso medicinal. Entre os direitos fundamentais que a constiuição brasileira nos assegura está o direito a vída. Será que os legisladores e o judiciário brasileiro, que zelam pela nossa constituição, podem se dar ao luxo de ignorar uma terapia que além de preservar a qualidade de vida dos doentes que fazem quimioterapia, também tem se comprovado eficiente na redução de tumores de câncer? Também não se pode ignorar outros potenciais de terapia com canabinoide em outras doenças e distúrbios como; ansiedade, dores crônicas, anorexia, HIV, artrite, depressão e glaucoma.

O fato de existir receptores de canabinóides em abundancia em nosso corpo, me faz lembrar como as orquídeas coevoluem com seu insetos polinizadores. As orquídeas chegam ao ponto de mimetizarem perfetamente a fêmea da espécie para que os machos ao tentarem acasalar com a fêmea polinizem as flores assegurando a espécie e a variabilidade genética. Enquanto lia os artigos percebi que haviam duas vias de autophagia induzida pelo estress do Retículo Endoplamático. Uma via evolutiva e outra modulada pelo cálcio. Pensei logo; aposto que a via induzida pela cannabis será a evolutiva. E de fato é. Para mim isso é apenas mais um de vários indícios de que a cannabis não faz mal algum. Pelo contrario, o que tem se observado é que seus compostos ativos se acomodam naturalmente aos receptores em nossos corpos e que os efeitos quase sempre benéficos e desejados.

Faz alguns dias que tenho percebido posts de amigos do Facebook falando sobre o gaúcho que foi preso por plantar canabis para o próprio tratamento. Hoje eu estou considerando introduzir o óleo de cannabis no tratamento do câncer de uma pessoa muito querida pra mim que luta contra essa doença terrível a 6 anos. Porém, percebi a dificuldade de executar isso devido a ilegalidade da planta e da substancia essencial para o tratamento terapêutico do câncer, o THC. Mesmo que se compre uma boa quantia no mercado ilegal, não há como se comprovar a porcentagem de THC por grama, já que a potencia e a duração do efeito do THC nas células são fatores importantes para a redução de tumores. Além disso a impureza e as más condições de armazenamento e tranporte podem levar a perda de propriedades dos canabinóides. Com isso só resta uma alternativa, o plantio caseiro de sementes pré-selecionadas a expressar uma concentração de THC conhecido para que se possa fazer a dosagem correta. Isso sem contar na economia pública que o desenvolvimento das pesquisas de substituição de quimioterápicos por canabinóides deve gerar. Um caixa de comprimodos de Xeloda hoje custa em torno de 5mil reais enquanto a canabis é grátis na natureza. E os efeitos colaterais dos quimioterápicos convencionais, que muitas vezes se tornam a causa de óbito, não são observados nos efeitos do THC.

Ignorância, ganância, atraso ideológico? Não sei bem o que dificulta a legalização da canabis no Brasil. Mas enquanto a legalização não for um fato, muitos cidadãos estão sendo negados o direito de tratamento para várias doenças. Não se pode impedir um ser humano de lutar pela própria vida e daí a prende-lo então é um absurdo sem justificativa.
Por isso, antes de julgar movimentos de legalização de drogas como baderneiros ou tentar rebaixar em escala de prioridades, lembre-se que da decisão do STF ou do congresso nacional depende o direito de lutar pela vida e saúde de muitos brasileiros. Diante de pesquisas como a mencionada e do apelo social pela legalização fica clara a inconstitucionalidade da proibição e a necessidade de se investir em pesquisa para aperfeiçoar o tratamentode doenças com canabinóides.